Conciliarismo
Do latim concilium (assembleia, concílio). Movimento eclesiástico-teológico que defendeu a supremacia dos concílios ecumênicos sobre o papa.
Definição Geral
Teoria eclesiástica que afirma que um concílio ecumênico legítimo possui autoridade suprema na Igreja, superior à do papa. Surgiu durante o Grande Cisma do Ocidente (1378-1417) como resposta à crise de três papas simultâneos, e foi formalmente articulada no decreto Haec sancta do Concílio de Constança (1415).
O conciliarismo é considerado superado e contrário à eclesiologia católica. O Vaticano I (1870) definiu que o papa possui 'poder pleno, supremo e universal' que pode ser exercido independentemente. Porém, o Vaticano II (Lumen Gentium §22) introduziu a noção de colegialidade episcopal — o colégio dos bispos, em união com o papa, possui autoridade suprema. A tensão entre primado papal e colegialidade permanece viva na teologia católica contemporânea.
Visão Católica
O conciliarismo é considerado superado e contrário à eclesiologia católica. O Vaticano I (1870) definiu que o papa possui 'poder pleno, supremo e universal' que pode ser exercido independentemente. Porém, o Vaticano II (Lumen Gentium §22) introduziu a noção de colegialidade episcopal — o colégio dos bispos, em união com o papa, possui autoridade suprema. A tensão entre primado papal e colegialidade permanece viva na teologia católica contemporânea.
Visão Protestante
O conciliarismo é citado como evidência de que a supremacia papal nunca foi universalmente aceita dentro da própria tradição católica. O decreto Haec sancta demonstrou que, em momento de crise, a própria Igreja reconheceu que concílios podem julgar e depor papas. A tradição reformada, embora não aceite concílios como infalíveis, vê no conciliarismo uma aproximação ao princípio de que nenhum líder humano individual é supremo.
Fontes e Referências
- 1Haec sancta (Concílio de Constança, 1415)
- 2Frequens (Concílio de Constança, 1417)
- 3Pastor Aeternus (Vaticano I, 1870)
- 4Lumen Gentium §22 (Vaticano II, 1964)