Biblioteca de Fontes Primárias
Documentos fundamentais de ambas as tradições cristãs — catecismos, confissões de fé, decretos conciliares, tratados teológicos e credos ecumênicos — com trechos relevantes para cada controvérsia.
19 fontes documentadas
Catecismo da Igreja Católica
Compêndio oficial da doutrina católica promulgado por João Paulo II, organizado em quatro partes: Profissão de Fé, Celebração do Mistério Cristão, Vida em Cristo e Oração Cristã. É a referência moderna mais completa para a posição católica em praticamente todos os temas doutrinários.
Decretos do Concílio de Trento
Conjunto de decretos dogmáticos e disciplinares do XIX Concílio Ecumênico da Igreja Católica, convocado como resposta direta à Reforma Protestante. Definiu a posição católica sobre Escritura e Tradição, justificação, sacramentos e outros temas contestados pelos reformadores.
Dei Verbum
Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina do Concílio Vaticano II. Apresenta a compreensão católica da relação entre Escritura, Tradição e Magistério num tom mais aberto ao diálogo ecumênico, sem abandonar a doutrina tradicional.
Lumen Gentium
Constituição Dogmática sobre a Igreja do Concílio Vaticano II. Define a natureza da Igreja como 'sacramento de salvação', a colegialidade episcopal, o papel do papado e dedica um capítulo inteiro (VIII) à Virgem Maria na economia da salvação.
Suma Teológica
A obra-prima da teologia escolástica medieval e o tratado teológico mais influente da tradição católica. Estruturada em questões, artigos e objeções, a Suma sintetiza a filosofia aristotélica com a teologia cristã, fundamentando racionalmente doutrinas como a transubstanciação, a graça e a natureza dos sacramentos.
Contra as Heresias
Uma das obras mais antigas da literatura cristã pós-apostólica. Escrita para refutar o gnosticismo, tornou-se um testemunho fundamental da Tradição apostólica, da sucessão episcopal e da regra de fé transmitida pelos bispos. É frequentemente citada por católicos como evidência da antiguidade da Tradição como fonte de autoridade.
Mysterium Fidei
Encíclica de Paulo VI que reafirma a doutrina da transubstanciação diante de reinterpretações teológicas modernas (transsignificação, transfinalização). Defende que a presença de Cristo na Eucaristia é real, verdadeira e substancial — não apenas simbólica ou significativa.
Unitatis Redintegratio
Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo. Reconhece pela primeira vez de forma oficial que existem 'elementos de santificação e verdade' nas comunidades protestantes e ortodoxas, e exorta os católicos ao diálogo fraterno sem renunciar às convicções doutrinais.
Confissão de Fé de Westminster
Principal confissão de fé da tradição reformada/presbiteriana, composta por 33 capítulos cobrindo toda a doutrina cristã do ponto de vista calvinista. Elaborada pela Assembleia de Westminster, é o padrão doutrinário das igrejas presbiterianas no mundo inteiro e um dos documentos confessionais mais influentes do protestantismo.
As 95 Teses
O documento que inaugurou a Reforma Protestante. Originalmente um convite acadêmico ao debate sobre a venda de indulgências, as 95 teses questionavam a autoridade papal sobre o purgatório e o poder de remissão de pecados. Seu impacto ultrapassou em muito a intenção original de Lutero.
Institutas da Religião Cristã
A obra teológica sistemática mais influente do protestantismo reformado. Em quatro livros seguindo a estrutura do Credo Apostólico, Calvino apresenta uma visão coerente e abrangente da doutrina cristã reformada, cobrindo desde o conhecimento de Deus até a organização da Igreja.
Catecismo de Heidelberg
Catecismo reformado encomendado pelo Eleitor Frederico III do Palatinado, conhecido por seu tom caloroso e devocional. Estruturado em 129 perguntas e respostas divididas em três partes — miséria humana, libertação em Cristo e gratidão — tornou-se um dos mais amados documentos confessionais protestantes.
Confissão de Augsburgo
A primeira grande confissão de fé protestante, redigida por Melanchthon e apresentada ao imperador Carlos V na Dieta de Augsburgo. Escrita em tom conciliatório, buscava mostrar que a doutrina luterana não se opunha à fé cristã histórica, mas corrigia abusos. Composta por 28 artigos, é o documento confessional central do luteranismo.
Da Servidão do Arbítrio
Resposta de Lutero ao 'De Libero Arbitrio' de Erasmo de Roterdã. Defende radicalmente a doutrina da total depravação humana e da soberania absoluta da graça divina na salvação. Lutero considerava esta obra, junto com o Catecismo, como sua melhor produção teológica.
Catecismo Menor
Instrução básica da fé luterana, escrita por Lutero em formato de perguntas e respostas para uso familiar. Cobre os Dez Mandamentos, o Credo Apostólico, o Pai Nosso, o Batismo e a Santa Ceia. Pela sua simplicidade e profundidade, é um dos textos mais difundidos da Reforma.
39 Artigos de Religião
Confissão de fé da Igreja Anglicana, que representa uma posição teológica intermediária entre o catolicismo romano e o protestantismo reformado. Os 39 artigos abordam Escritura, justificação, sacramentos e governo eclesiástico com linguagem deliberadamente aberta a interpretações variadas.
Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação
Documento histórico assinado pela Federação Luterana Mundial e pela Igreja Católica que estabelece um consenso fundamental sobre a doutrina da justificação. Declara que as condenações mútuas do século XVI não se aplicam mais à posição atual do outro lado, representando um marco no diálogo ecumênico.
Credo Niceno-Constantinopolitano
A mais importante formulação dogmática da cristandade, compartilhada por católicos, ortodoxos e a maioria das igrejas protestantes. Define a divindade de Cristo ('consubstancial ao Pai'), a divindade do Espírito Santo e as marcas da Igreja ('una, santa, católica e apostólica'). É a base comum sobre a qual o diálogo ecumênico se sustenta.
Credo Apostólico
A mais antiga formulação de fé cristã em uso litúrgico contínuo. Embora não escrito pelos apóstolos, reflete a fé batismal da Igreja primitiva romana. Aceito por católicos e pela maioria dos protestantes, representa o núcleo comum da fé cristã — aquilo que une antes de dividir.