Catecismo da Igreja Católica
Compêndio oficial da doutrina católica promulgado por João Paulo II, organizado em quatro partes: Profissão de Fé, Celebração do Mistério Cristão, Vida em Cristo e Oração Cristã. É a referência moderna mais completa para a posição católica em praticamente todos os temas doutrinários.
Acessar documento originalContexto Histórico
Publicado em 1992 por iniciativa do Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985, o Catecismo foi o primeiro compêndio universal da doutrina católica desde o Catecismo Romano do Concílio de Trento (1566). Redigido sob a coordenação do cardeal Joseph Ratzinger (futuro Bento XVI), busca apresentar a fé católica de forma orgânica e acessível ao mundo contemporâneo, incorporando os desenvolvimentos do Concílio Vaticano II.
Trechos Relevantes
“A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da Palavra de Deus, confiado à Igreja.”
CIC §97
“Foi pela Tradição apostólica que a Igreja discerniu que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados. A lista integral compreende quarenta e seis escritos para o Antigo Testamento e vinte e sete para o Novo.”
CIC §120
“A justificação não é apenas a remissão dos pecados, mas também a santificação e renovação do homem interior.”
CIC §1989
“Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho na substância do Seu Sangue. Esta conversão, a Igreja católica chama-a, de maneira conveniente e apropriada, transubstanciação.”
CIC §1376
“A honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada.”
CIC §2132
“Sendo todos os fiéis um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros. Deve-se, portanto, crer que existe uma comunhão de bens na Igreja. Porém o membro mais importante é Cristo, porque Ele é a Cabeça.”
CIC §947
“O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, e o que ensina acerca de Maria ilumina, por sua vez, a sua fé em Cristo.”
CIC §487
“A devoção da Igreja à Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão. A Igreja com razão presta à Virgem um culto especial. Com efeito, desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de 'Mãe de Deus'.”
CIC §971
“O Pontífice Romano, em razão de seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, tem na Igreja poder pleno, supremo e universal, que pode sempre exercer livremente.”
CIC §882
“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora tenham assegurada a sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.”
CIC §1030
“A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja.”
CIC §1471
“Somente Deus perdoa os pecados. Porque Jesus é o Filho de Deus, Ele diz de si mesmo: 'O Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados' e exerce esse poder divino: 'Teus pecados estão perdoados.' Mais ainda, em virtude de sua autoridade divina, Ele dá esse poder aos homens para que o exerçam em seu nome.”
CIC §1441-1442
Fontes Relacionadas
Decretos do Concílio de Trento
Conjunto de decretos dogmáticos e disciplinares do XIX Concílio Ecumênico da Igreja Católica, convocado como resposta direta à Reforma Protestante. Definiu a posição católica sobre Escritura e Tradição, justificação, sacramentos e outros temas contestados pelos reformadores.
Dei Verbum
Concílio Vaticano II
Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina do Concílio Vaticano II. Apresenta a compreensão católica da relação entre Escritura, Tradição e Magistério num tom mais aberto ao diálogo ecumênico, sem abandonar a doutrina tradicional.
Lumen Gentium
Concílio Vaticano II
Constituição Dogmática sobre a Igreja do Concílio Vaticano II. Define a natureza da Igreja como 'sacramento de salvação', a colegialidade episcopal, o papel do papado e dedica um capítulo inteiro (VIII) à Virgem Maria na economia da salvação.